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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Fernando Fialho também pode enfrentar CPI na Assembleia

Baseado em documentos comprobatórios que podem resultar até em cadeia, deputados estudam pedir a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que pode estremecer um outro secretário do governo Roseana Sarney.
Trata-se de Fernando Fialho, ex-secretário de Desenvolvimento Social do Maranhão, que pode ter cometido atos nada republicanos, a exemplo dos diversos convênios celebrados com entidades, para viabilizar a campanha do genro, Juscelino Filho, em diversos municípios do Maranhão. Juscelino inclusive pode ser cassado por corrupção e desesperado tenta de apropriar de diversos partidos para evitar danos a seu mandato.
Por sua vez, Fernando Fialho coleciona muitos atos que dariam uma belíssima investigação, como aquelas dos seriados americanos. Apesar da ficção se misturar com realidade vez ou outra, os destinos podem tomar rumos diferentes. A começar pela junção de provas que configurem a veracidade de informações levantadas para uma possível condenação.
Primeiro, não se some com dinheiro do nada. Em 2013 R$ 5 milhões que deveriam ter sido investidos no melhoramento de vias no município de Raposa desapareceram como em um passe de mágica. Uma auditoria constatou irregularidades na celebração de convênios firmados entre uma empresa fantasma, que levava o nome da avó de Roseana, com o governo do estado. O caso foi denunciado, mas acabou engavetado.
O espetáculo foi parar em rede nacional. E que vergonha o então secretário passou ao tentar explicar o inexplicável. Fialho foi um dos principais envolvidos nos mais de 105 convênios firmados entre sua secretaria e o governo, para executar obras que nunca saíram do papel.
Em 2012, Mais de R$ 3 milhões foram “investidos” na promessa de que poços artesianos seriam construídos em comunidades, assim como o melhoramento de vias, desta vez entre com o “Clube de Mães Nossa Senhora das Graças”, que nada tem em comum com a atividade de obras. Na época a diretora afirmou que nunca viu a cor do dinheiro.
E não parou por aí, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes) foi um prato cheio para as lambanças de Fernando Fialho. Contratos com a SONOTEC (Sociedade Norte Técnica de Construções Ltda.) e a I.M. Construções e Serviços somaram R$ 1,2 milhão e tinham a mesma finalidade: execução de serviços de conclusão de obras de implantação do sistema de abastecimento de água no município de São Luís.
Aliando bons resultados e um gosto peculiar por contratos, Fernando Fialho ainda carrega nas costas uma denúncia no valor de R$ 270 mil, em uma parceria assinada com uma ONG na cidade de Humberto de Campos, para construir dois banheiros.
Depois de tudo isso o artista ainda foi articulado para assumir o Ministério dos Portos em 2014. Agora imaginem: o que não se faz por terra… Faz-se por água.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EM DISCURSO NO PLENÁRIO DA CÂMARA, JUSCELINO FILHO FALA SOBRE O CAOS DA SAÚDE PÚBLICA E DEFENDE HOSPITAIS ESPECIALIZADO


O deputado Juscelino Filho (PRP-MA) defendeu, na última terça-feira (19), na tribuna do plenário da Câmara dos Deputados, a potencialização da rede de hospitais brasileiras. 
O discurso se deu após a reportagem do Jornal Nacional de 18/05, relatando o caos e a falta de infraestrutura dos hospitais públicos, como a falta de leitos, por exemplo.
De acordo com relatórios do TCU, quase 15 mil leitos foram desativados na rede pública de saúde desde julho de 2010. Naquele mesmo mês, o país dispunha de 336,2 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em julho de 2014, o número passou para 321,6 mil – uma queda de quase 10 leitos por dia. As informações foram apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.
Acompanhe o discurso na íntegra:

“Senhor Presidente, deputadas e deputados,
Ontem (18/05), o noticiário da grande imprensa brasileira foi dedicado a temas da saúde. Nos telejornais é isso que vem acontecendo de modo recorrente, a maioria das vezes expondo problemas, sobretudo na rede pública, infelizmente. Por exemplo, numa das matérias do Jornal Nacional, foi mostrado que, em apenas um mês, quase 200 pessoas que necessitavam de imediata atenção, deixaram de ser atendidas e morreram, por falta de leito na Unidade da Terapia Intensiva - UTI no maior pronto-socorro de Teresina, no Piauí. É estarrecedor.
Como cidadão, quero me solidarizar às famílias que perderam seus entes queridos sob condição tão dramática. Entre eles, havia muitas pessoas do Maranhão, meu estado, que buscam atendimento em Teresina por conta da proximidade pela localização geográfica.
Muitos daqueles que foram a óbito, certamente, sobreviveriam se tivessem sido acolhidos. Eles não tiveram chance de continuar vivendo. É injustificável. O caso do Maranhão e do Piauí não é uma raridade, lamentavelmente.
Ao contrário, Brasil afora, todos os dias, há ambulâncias em disparada pelas ruas das cidades, pelas estradas do interior, transportando pacientes que, ao encontrar algum hospital, esbarram na incapacidade de pronto atendimento.
As famílias dos que não podem pagar do próprio bolso, os que não têm planos de saúde, os mais pobres principalmente ficam em intermináveis filas de espera, até ocupam o chão de hospitais. É um imperdoável desrespeito à dignidade humana.
Como médico, eu sei o quanto emociona ver esse sofrimento, é impossível não se sensibilizar quando não se consegue socorrer qualquer paciente, é uma sensação de impotência que marca aos que são vocacionados, comprometidos.
O Brasil é uma nação moderna, rica, industrializada, uma das dez maiores economias do planeta, apesar da crise que ora se vivencia, que esperamos seja breve e passageira.
Mas, ainda somos um país desigual: necessidades da população, sobretudo as das parcelas mais carentes, não são contempladas de forma justa, há lacunas sociais relevantes, que precisam de urgente solução. A saúde se enquadra neste contexto.
A alta qualidade da medicina brasileira é reconhecida, temos médicos bem formados, muitos deles respeitados, admirados inclusive fora do país. Mas não são distribuídos de modo compatível às demandas, a maior parte deles se concentra em capitais, principalmente as do sudeste do país.
Portanto, para corrigir a distorção, é correta a estratégia de ampliar a quantidade de cursos e de vagas de medicina, direcionar a especialização abrindo residência médica onde não tem e mais vagas nas especialidades já existentes nas regiões menos contempladas, assim incentivando que os médicos completem sua formação onde são necessários, não procurando grandes centros como acontece hoje.
O Brasil tem vários hospitais de classe mundial. Eles não são todos privados, há centros públicos de excelência entre os melhores, mesmo se comparado a países mais avançados. Este paradigma prova ser possível fazer saúde de qualidade no âmbito da rede pública. A Rede Sarah é exemplo disso, os hospitais dela nos orgulham inclusive no Maranhão.
Por isso, defendo a otimização da rede brasileira de hospitais, particularmente os de média e alta complexidade, os especializados. É preciso que haja descentralização geográfica da rede, como diretriz estratégica do país e do governo, inclusive estaduais e municipais, com a interiorização da rede de atendimento, com instalações, equipamentos e pessoal suficientes, para que famílias e pacientes sejam atendidos o mais próximo possível de onde moram.
Como parlamentar, meu mandato está à disposição da área de saúde, o Ministro, os secretários estaduais e municipais podem contar comigo nesta tribuna, no plenário e nas comissões onde sou membro, especialmente na de Constituição, Justiça e Cidadania e, claro, na de Seguridade Social e Família.